Livro dos Espíritos, questão 10: “Pode o homem compreender a natureza íntima de Deus?” Resposta: “Não, falta-lhe para isso o sentido.” Vivemos uma incógnita, não conhecemos Deus. Por essa razão cada um entende Deus, ou o imagina de um jeito.
Somos tão incapazes de compreender os planos de Deus quanto uma tartaruga é incapaz de compreender um problema de matemática, ou uma questão filosófica. Isto não acontece porque Deus deseja ocultar-nos alguma coisa, mas porque essas realidades se encontram em dimensões de consciência que nosso raciocínio não consegue atingir.
Para quem nasce cego, por mais que alguém tente lhe descrever a beleza das cores, não conseguiria, pois lhe falta a capacidade básica de percepção para diferenciar o azul do amarelo.
Nós nos movimentamos no mundo de acordo com os nossos próprios reflexos. Somos a herança de nós mesmos, os nossos pontos cegos nos inibem. O que é certo para uns, pode ser errado para outros. Pessoas que tem inteligência para a música muitas vezes não tem inteligência para o raciocínio lógico. Quem não tem o sentido musical poderá comprar o melhor instrumento musical, pagar o melhor professor de música. Depois de muito treinamento poderá tocar alguma coisa, mas a melodia não tem vida, não tem sincronia. Basta deixar de exercitar por algum tempo esquecerá tudo. Já quem tem o sentido musical a musica está em todo o seu ser, desde os fios de cabelo até a ponta dos dedos de seu pé. Quando ele está tocando seu corpo todo vibra em sintonia com a melodia, ele pode optar por um instrumento musical, mas pode tocar todos.
A imaginação é a arte de ver as coisas invisíveis. Só com o coração é que podemos conhecer realmente a verdade. O essencial é imperceptível aos nossos olhos. Para ser espírito puro Angelical é preciso saber tudo, todas as teorias, química, física, astronomia, todas as leis que regem o universo, saber, por exemplo, a mecânica física de uma planta, a mecânica física do pensamento. A matéria é apenas energia condensada. Dizemos cansados de viver sem saber o que a vida é. Sofremos de uma cegueira de 95% em relação a tudo. Temos apenas por volta de 5% de visão em relação a vida e das coisas que nos rodeiam, o resto é cegueira.
A principal finalidade de nossa existência é o aprendizado. O extraordinário, a mágica e o sobrenatural não existem, existe sim ignorância e falta de conhecimento. Tudo na vida é normal, somente nosso nível de consciência ainda não alcança as verdades.
Quem não acredita em nada é tão tolo quanto aquele que acredita em tudo. É mais inteligente quem admite que não sabe do que aquele que pensa que sabe tudo. Jesus dizia: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.”
Que nosso coração e nosso intimo sejam muito receptivos, pois aprendemos na medida da receptividade. Por essa razão devemos informar as criaturas de acordo com a capacidade de captação. Informação em momento errado é tão perigoso quanto a ignorância. A única escuridão que devemos temer é a que está dentro de nós mesmos. Ainda não temos a sensibilidade para captar as inspirações dos espíritos protetores, eles tem o poder de nortear nossa vida. O ar é o principal alimento para a nossa vida e, no entanto não o vemos, só o sentimos.
Em minha cidade uma jovem bela, prestativa e educada trabalhava em uma empresa multinacional, fazia o serviço de servir café sempre com muito requinte. Os funcionários que chefiavam a empresa sentiam pena da jovem, imaginavam uma posição melhor para ela na empresa. Outra jovem que trabalhava com telefonia pediu demissão, pois iria se casar e morar em outra cidade. Ninguém vacilou, transferiram de pronto a jovem do café para o posto da telefonista e contrataram outra para preencher seu lugar. Mas, tão logo tiveram triste surpresa, apesar de seu esforço e boa vontade ela não atendia os requisitos para aquele posto. Como em uma empresa um funcionário não pode ser rebaixado, não teve alternativa a não ser demiti-la. Não foi ela quem errou, se considerava feliz servindo café. Com nossa pobreza de visão das coisas precisamos ter cautela e refletir muito quando pensamos em ajudar alguém.
Entende-se como sentidos os cinco principais, mas, nos dias de hoje, estuda-se mais de 30. O sentido termostático, o qual sentimos o calor e o frio, ou quando estamos perto do fogo, mesmo de olhos fechados, sentimos a aproximação. O sentido de natureza intuitiva e percepção extra física.