20. Conflito Interior

O maior desafio que encontramos na trajetória da vida não são as pessoas. Não é o vizinho complicado, o patrão severo, o companheiro de trabalho desorganizado, o amigo desonesto, a falta de compreensão dos familiares, de tudo isso podemos nos livrar. A maior dificuldade é conviver com nosso próprio interior.

O que está pra trás e diante de nós são pequenos detalhes em se comparado com o que se passa dentro de nós. A conquista mais difícil do mundo é dominar a si mesmo.

Não sabemos o que nos leva a imaginar coisas, mesmo as que não temos coragem de fazer, ou por falta de oportunidade ou porque a ética nos impõe limites.

Por fora até podemos camuflar, mas internamente as coisas estão acontecendo, temos algo dentro de nós que ainda não sabemos lidar. Somos dotados de pensamento contínuo, nossa vida é de conflitos permanentes. Precisamos administrar pensando bem, vibrando bem, selecionando o pensamento que deve recepcionar e os que devemos desativar.

A consciência deve estar onde estamos, estar atenta a tudo, observando o local ao redor. Mas, muitas vezes estamos em um local e o pensamento está vagando, fazendo uma coisa e pensando em outra.

Alimentamos tenebroso conflito interior por horas seguidas, parece até que gostamos deles. São pensamentos tóxicos, vibrações corrosivas que degeneram o corpo físico e mental.

O homem vence suas dificuldades e limitações quando se utiliza de suas energias interiores. Alguns não entendem como a vida funciona e procuram desesperadamente uma explicação pra tudo.

A consciência é alto falante de Deus, por onde se faz contato criatura e criador, só erra ou é infeliz quem se faz surdo.

Se não resolvermos os conflitos nesta vida, voltaremos com eles, levamos mágoas de uma encarnação para a outra e já nascemos magoados.

Somos nós mesmos que fazemos nossos caminhos e pintamos as cores que iremos encontrar amanhã. Depois denominamos fatalidade, nos consideramos injustiçados e ainda atribuímos a outrem nossas mazelas.

Temos tendência de ver coisas que não existem e ficarmos cegos para as grandes lições que estão diante de nossos olhos.

Nas pessoas que se acomodam fisicamente as veias que abastecem o corpo vão se estreitando e tudo vai se atrofiando. Quem acumula raiva e ódio também estreita o canal que liga criatura e Criador.

Se perguntarmos a alguém quem manda na sua casa, se são os ratos, baratas, formigas, o traficante do bairro, o ladrão, os governadores, ou é você? Imediatamente responderá: “Quem manda sou eu.”

Em nossa casa mental não são os espíritos obsessores ou o demônio que mandam. Nós temos o domínio absoluto, basta querermos que temos o poder de selecionar, acolher o que é bom ou dissolver, desativar tudo o que se aloja em nós e sabemos que não é bom e que não traz nenhum benefício.

Por essa razão, trabalhemos em vencer as más tendências e os aspectos negativos. Vencedor é quem vence a si mesmo estando sempre em comunhão com as coisas boas e bonitas da vida.

Conta-nos que certa feita dois monges caminhavam de um lugarejo a outro, dia muito chuvoso e, chegando a um riacho este estava transbordando e uma jovem tentava atravessar, mas por sua fragilidade corria o risco de ser arrastada pela correnteza. Segundo as normas de disciplina os monges são proibidos de tocarem em mulheres, mas um dos monges não vacilou, pegou a jovem nos braços e atravessou o riacho. Seguiram viagem e, mais adiante, o outro monge inconformado questionou quanto a desobediência. O monge que havia carregado a jovem afirmou: “Bem, eu carreguei-a nos braços só o tempo de atravessar o riacho e nada mais e você está carregando ela em pensamento até agora.”

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