19. Conflitos e Guerras

Desde que surgiram os primeiros grupos de espíritos na Terra, se almeja a tão sonhada paz. Paz esta que às vezes se busca pelo caminho mais dolorido, através de conflitos, do uso da força e do poder, onde quase sempre o preço são muitas vidas ceifadas. Podemos lembrar começando pela história mitológica de Adão e Eva, onde Cain matou Abel. O velho testamento retrata bem estes episódios, onde em seus confrontos milhares de homens morriam brutalmente. No livro de Reis descreve que todos os reis de Israel e Judá foram perseguidos e quase todos foram mortos. Em todas as épocas as guerras santas resultaram em grandes catástrofes.

Em milênios de anos da história humana foram registradas milhares de guerras. Em qualquer parte do planeta encontramos os mesmos problemas de relacionamento. Tudo pelo excesso de vaidade, orgulho e a ânsia de poder. Não fazemos coisas piores por falta de coragem ou oportunidade.

O mal não está no mundo, não tem ação sem a participação do homem. Fala-se em reconciliar, mas não consta que a humanidade fosse conciliada em alguma época, ela está progredindo no campo da inteligência, mas no campo moral deixa muito a desejar. Ainda reagimos de acordo com o comportamento dos outros. Se nos tratarem bem, trataremos bem também, trataremos mal se nos tratarem mal. A paz se conquista com respeito. A raiva é um sentimento universal, temos que trabalhar com ela.

Apontamos sempre as faltas alheias exigindo sempre a punição e a morte, mas para que alguém seja punido e morto é preciso que alguém seja o instrumento, mas esse alguém estará se pondo na qualidade de infrator.

A maioria afirma não ter coragem de matar, mas se desejamos que alguém mate o criminoso, estaremos intimamente matando também. Quem gosta de brigas, guerras, poderá em vidas futuras nascer em regiões onde haverá conflitos e bombardeios constantes, até odiarem guerras.

Quem somos para julgar o mundo pelos episódios que estão acontecendo, Deus sabe muito bem o que está fazendo. O que devemos é estar constantemente em guerras combatendo nossas próprias imperfeições. Elas são como malas de chumbo sem alça, difíceis de carregar.

Como é que vamos amar e respeitar mais de seis bilhões de pessoas que atualmente estão encarnadas na Terra se não conseguimos amar e respeitar seis pessoas da família? Tudo tem uma razão no ministério divino, as  guerras tem a função de acelerar o progresso, mas, poderíamos perguntar “Mas, e quem morre? Como fica?”. Voltarão em nova experiência, já com nova mentalidade. Aqueles que eram guerreiros gratuitamente, quando chegam ao plano espiritual percebem os enganos que cometeram e outras serão suas prioridades na próxima encarnação assumindo novas posturas em relação à vida.

Bem, como será que Deus vê tudo isso! Aqui entre nós, sabemos que quando as crianças estão juntas elas brigam mesmo. Para Deus não é diferente, para Ele nós ainda somos crianças e por isso brigamos.

Há 100 anos passados quando a formiga saúva, uma espécie que corta as plantas, chegou ao Brasil, alguém disse: “Ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil.” Cem anos se passaram, nem o Brasil conseguiu acabar com a formiga nem a formiga conseguiu acabar com o Brasil. Aprenderam a conviver juntos, assim  também teremos que conviver por mais algum tempo com os conflitos.

O mal é ousado, mesmo sendo praticado por poucos se destaca, mas, temos o consolo de que somos filhos muito queridos de Deus e que esta fase é temporária.

Sem o amor verdadeiro a guerra estará sempre acontecendo entre os homens.

Muitos segmentos religiosos exploram tudo o que está acontecendo atualmente para amedrontar seus adeptos, levando-os a crer que é chegado o final dos tempos. Isso tudo para extrair mais dinheiro nas igrejas, e o pior, causando um desequilíbrio psicológico nas criaturas, levando-as a acreditar que tudo está perdido e não adianta mais lutar.

O homem primitivo, com fome, saia para caçar, era matar ou morrer, pois, poderia ser morto até mesmo por animais de pequeno porte. Isto é um exemplo da nossa evolução, apesar de tudo, temos o consolo que estamos melhorando a cada dia. Embora a mídia insista em dizer que não, ontem fomos piores que hoje e hoje piores que amanhã.

O mesmo acontece com o crime, a desinteligência, a ignorância, etc. Parece quase impossível conviver com essas coisas. Gostaríamos que tudo isso deixasse de existir de um momento para o outro. O que parece impossível de transformar ou melhorar neste momento temos que aceitar com naturalidade.

Os imperfeitos não se regenerarão imediatamente, e tampouco os que se julgam melhores se tornarão perfeitos de um momento para o outro. Tudo segue gradativamente.

A providencia divina destina todo momento espíritos imperfeitos para habitarem este planeta de expiação e provas para evoluírem. Por essa razão, por alguns séculos ainda, todos que passarem por este planeta terão que se adaptar a todas essas coisas que para nós nos parecem ruins, mas, que para a providencia divina, tudo é natural. Todos tiram proveito de tudo o que existe de bom ou de ruim.

Os mais atrasados servem de instrumento para a evolução aos mais adiantados, e ainda são utilizados na realização das tarefas mais grosseiras. Os mais adiantados devem ajudá-los auxiliando, amparando, exemplificando, etc.

Na realidade um depende do outro como o sol depende das trevas para mostrar sua potencialidade, força e beleza, assim como as trevas precisam do sol para mostrar que sua escuridão não é eterna e que com um simples raio de sol ela desaparecerá.

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