17. Egoísmo

O homem só se preocupa com sua sobrevivência e os desejos do dia a dia e não percebe que é importante também trabalhar para vencer seus vícios, paixões e sentimentos inferiores. Ainda somos duros, mesquinhos e invejosos.

O poder e a autoridade não são nossos porque não dá para guardar em um cofre. Deus pode tirar a hora que quiser, não poderemos levar para o outro lado da vida nem um grão de areia sequer.

O egoísmo não é pecado, faz parte do estágio evolutivo, mas chega a um ponto em que ele se torna prejudicial. O egoísta é alguém que ainda não aprendeu a ser generoso.

Difícil aceitar uma posição de destaque para alguém com quem convivemos que conhecemos desde as limitações da infância, cujas virtudes ignorávamos. O egoísta sempre se aborrece com o sucesso dos que estão próximos.

O egoísta não dorme, irrita a pele, sofre principalmente quando os outros estão bem. Veja nas duas histórias a seguir:

Dois homens estavam perdidos no deserto e o Diabo apareceu e disse ao primeiro: “Você me faz um pedido e eu darei a você e, ao outro, darei o dobro.” Ele pensou, pensou e pediu para ficar cego de um olho.

Dois homens estavam perdidos na floresta de súbito apareceu um leão. Um deles rapidamente tirou os sapatos para correr mais que o outro.

Enquanto existir egoísmo e outras imperfeições não se pode esperar manifestações de solidariedade e fraternidade. Onde há egoísmo pode haver paixão, nunca amor.

Ninguém é maior que ninguém. O orgulho é como inchaço, está grande, mas não está bem. Nossos maiores inimigos não estão fora, mas estão dentro de nós.

Não procure ser melhor que ninguém, mas que você mesmo, ajustando-se a cada dia. Quando alguém fere o nosso egoísmo e reagimos, estaremos projetando-o ao combate.

Como vamos descobrir nossas imperfeições se ninguém tocar nelas? E, se todos nos elogiassem e nos tratassem na palma da mão?

Gostamos mais de um falso elogio do que de uma crítica sincera. O egoísta faz mal conceito de si mesmo, é convencido de que é melhor, de que é superior as outras pessoas, achando-se insubstituível. Mas, no cemitério está cheio de gente que se considerava imprescindível, bem de vida, de bom coração. O egoísta mata, rouba a esperança, os sonhos e a alegria dos outros. Fica mais sensível a uma pelinha que se solta de seu dedo que a um tumor maligno em outra pessoa.

O planeta produz o suficiente a todos, mas alguns armazenam o que falta a outros. O egoísta pensa só nele e em sua família. Pensa que é bonzinho, mas não resiste à menor crítica. Isso tudo é uma prisão que só nós poderemos nos libertar.

Nunca queremos perder para os outros, nem nas dores. Ficamos imensamente felizes quando sabemos que nossa dor ou nossa infelicidade é maior que a do outro. Precisamos fazer periodicamente uma avaliação de auto-imagem, como sou visto pelos outros? Como está a minha prepotência e arrogância? Não precisamos ainda cobrar de nós perfeição, mas integração de nós mesmos, pois a personalidade não evolui, ela se altera.

Contam-nos que havia uma grande mesa com pessoas sentadas dos dois lados. Ao servir a refeição percebeu-se que ninguém tinha movimento nos cotovelos, os braços eram retos e para comerem precisavam jogar a comida para o alto e pegar com a boca. E assim lambuzavam-se todos, conseguindo comer pouca coisa, desperdiçando quase tudo.

No salão ao lado a mesma mesa, as mesmas comidas e todos com os cotovelos atrofiados. Na hora de comer um alimentava o companheiro que estava a sua frente na mesa e vice-versa. Ao final sobrou comida, o ambiente estava limpo enquanto que no outro salão faltou comida e o ambiente estava todo sujo.

Temos o consolo que tudo isso é temporário, é uma fase da nossa vida e que o mar é grande porque fica abaixo dos rios. Somos filhos muito queridos de Deus.

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