Todos os dias nos deparamos com a morte e nem assim somos capazes de mudar o comportamento em relação à vida. A morte do corpo é apenas mudança de apartamento por parte do espírito. A morte faz parte de um conjunto de experiências. Nascer, morrer é vida sempre. Devemos sim chorar a morte de quem quer que seja, mas, devemos comemorar a vida.
O fenômeno da morte é o mesmo que fazemos todos os dias durante o sono. A desencarnação não gera transformação nenhuma em nosso ser, continuamos sentindo saudade, amor, ódio, etc.
A morte está morrendo. O Espiritismo mata a morte e alonga a vida. As religiões não têm preparado seus adeptos para a morte, por essa razão há tanto medo. Lembre-se, ninguém morre, faz a viagem de retorno, a morte é a porta que se abre em direção à vida.
Todos afirmam ter medo de morrer. Mas, como entender? Se tivessem mesmo medo de morrer não fariam agressões ao próprio corpo, bem como excesso de trabalho, repouso insuficiente, comidas gordurosas, ácidas, doces em excesso.
Medo de morrer é conseqüência do dever não cumprido. É como o devedor foge do credor. Muitas vezes matamos a iniciativa e a vontade de viver de alguém. A pior coisa que pode acontecer ao desencarnado é encontrar no Plano Espiritual alguém que ele prejudicou aqui na Terra e esse alguém o olhar nos olhos e não o condenar.
A vida é uma luta da qual jamais sairemos com vida, mas nem por isso deveremos desistir de lutar. Se tiver que morrer, que morra em um campo de batalha, pois, só lutando encontramos a verdadeira razão de viver. Não esperar morrer para estar no reino de Deus, temos que renascer todos os dias para estar lá mais depressa.
Eu não creio na imortalidade da alma, “eu sei”. Quem crê pode deixar de crer. Quem sabe, não deixa de saber.
A morte não proporciona passaporte gratuito para o céu. Não transforma homens em anjos ou santos, continuamos com os mesmos vícios e anseios. O suicida pensa que no túmulo tudo termina, pensa encontrar a morte e encontra a vida. E, poderá, na próxima existência, no auge da vida quando mais queira viver, morrer bruscamente.
O importante não é como se morre, o ato em si, mas, é aquilo que da vida se leva. Nascer de novo não é só reencarnar, mas se descobrir todos os dias.
Quem cumpre sua missão com dignidade e morre bruscamente pode renascer imediatamente.
A medicina nos deu mais quarenta anos de vida, em 1900 a média de vida do brasileiro era de 33 anos, em 2006 vive-se em média 73 anos.
Quem acredita que os mortos estão em paz gratuita está enganado porque se os mortos quiserem paz, que aprendam a sair de si mesmos e servir também.
Jamais esqueça que não importa o quão sincero os homens possam ser, ou quão influentes e poderosos sejam os líderes do mundo. Todos eles são criaturas mortais, visto serem incapazes de salvar a si mesmos, como podem salvar outros? Eles não podem. Apenas Deus pode.
Sabemos que a passagem para a morte já está comprada por todos, ela é a maior certeza da vida. Por que não fazer o trajeto nascimento-morte de maneira sensata?
O espírito vem a esse mundo para cumprir uma missão e, se não tiver mais atividade, será transferido para o mundo espiritual. Poderíamos dizer que temos um prazo de validade, se estivermos vencidos seremos retirados de circulação.
Estamos sepultados na carne, a morte do corpo é a libertação, muitos demoram muito para morrer. O espírito fica preso em um corpo em declínio. Até para morrer tem que ter merecimento. Emmanuel dizia a Chico Xavier: “Você ainda não tem mérito para desencarnar.” Para morrer bem, é preciso viver bem.
Temos que converter a visão da morte na visão da imortalidade. Morreu a morte por não haver espaço para ela no cenário da vida. Alguns morrem aos noventa anos, outros aos trinta, mas ninguém perdeu a vida. O nosso ente querido não é aquele corpo, mas o ser que o habitava. Ele permanecerá ligado a nós mesmo depois que o elo físico se rompe, portanto, falar da vida, não chorar a morte.
Não se perde nada com o processo da morte, a matéria é a condensação de energias, o corpo vai se desagregar, suas células, moléculas e átomos irão formar outros corpos. Nada morre, tudo se transforma. O espírito continua mais vivo do que nunca e vai para sua nova fase de evolução.
Aqui na Terra fazemos curso para sermos espíritos superiores. A evolução é um trabalho individual, a morte é individual. Nascemos só, morremos só. A sombra da morte é apenas aurora da vida, não há morte na constituição divina, só vida, sempre vida.
Perguntaram a Francisco de Assis, se ele soubesse que morreria hoje, o que faria. Ele disse que continuaria capinando o seu jardim. A única condição para desencarnar é estar vivo. No cemitério está repleto de gente que era considerada bem de vida, de bom coração.
Ao planejarmos um passeio nos preocupamos em levar os acessórios necessários para podermos usufruir o máximo que o local pode oferecer. Assim, o que precisamos levar quando saímos dessa vida? A morte não produz milagre, levamos tudo o que somos, se levarmos mágoas para a próxima encarnação já nasceremos magoados.
Não temos medo da morte, temos vergonha em relação a não termos cumprido o dever. Quando morremos, até nos escondemos no umbral, de vergonha, devido ao estado que se encontra nosso corpo perispiritual.
Ainda temos dificuldade em lidar com a morte devido a nossa condição evolutiva, pois, como numa cirurgia carnal se faz necessário um tempo de convalescença, imagine uma cirurgia de corpo inteiro.
A morte também tem seu lado bom, para o estudante é motivo de alegria a morte do pai do professor.
Para muitos a morte é um abismo sem pontes. A maioria dos crentes têm pouca fé nos dogmas que professam. Quando vemos o terror que o católico sente da morte, mesmo depois de ter recebido a absolvição de todos os seus pecados, a extrema unção, percebemos que ele crê pouco em sua igreja, pois, continua apavorado com a passagem, quando a igreja já lhe garantiu a entrada na bem aventurança eterna dos justos. A razão desta apreensão é que o espírito do católico, do mesmo modo de todos os outros, tem recordações suficientes da realidade espiritual porque já viveu como espírito, tem intuição da verdade e, esta intuição nega o dogma da absolvição. Nenhum dogma falso sobrevive ao tempo. Em todos os tempos falou-se no juízo final, mas, ele não é coletivo, é individual.
A morte faz parte do ciclo da vida de todo ser vivo e, por essa razão não deve ser ignorada. Ainda mais, ela pode chegar tanto na infância, juventude quanto na velhice. Ela é uma experiência individual que um dia será alcançada por todos, independente do lugar onde se encontre. Por essa razão, devemos viver a cada dia como se fosse o último, pois cada instante de nossa vida é insubstituível e não se repete.
Tudo na vida exige um planejamento prévio. Embora não sabendo o dia e a hora devemos planejar a própria morte.