14. Perdão

Quando alguém quer nos dar alguma coisa, se não aceitarmos, de quem é essa coisa? É claro, pertence a quem ofereceu. Assim também é em relação a ofensa e ao ofensor, ou seja, temos o poder de aceitá-la ou não.

Agindo assim, não estamos fazendo favor ao agressor, mas sim a nós mesmos. Aquele que revida ao agressor com igual ofensa está se colocando de igual para igual com ele. E ainda mais causando um trauma físico e espiritual para si mesmo, onde o tempo poderá recuperar as feridas, mas ficarão as cicatrizes. É equivoco achar que o mal se paga com o mal. Pelo contrário, o mal se paga com justiça.

Temos que trabalhar o nosso interior para atingirmos um estado de espírito tal que não nos ofendamos mais com as iniqüidades alheias. Pois, o ofensor é o que mais sofre. A maneira mais fácil de não arranjar inimigos é ignorar. Jesus dizia: “Perdoa Pai, eles não sabem o que fazem.” Se um ofensor agiu assim é porque não sabe o que faz, ainda não aprendeu a ser diferente. Uma criança de dois anos jamais poderá ofender uma pessoa adulta, pois ela não sabe o que faz. O mesmo acontece em relação a nós e a Deus. Jamais poderemos ofendê-Lo, o relativo jamais poderá ofender o absoluto.

Temos que lutar para que o comportamento dos outros não interfira no nosso. Poderemos ter uma reação inteligente mesmo a um tratamento não inteligente. Aprender a odiar o pecado, mas amar aos pecadores.

A mágoa tem a extensão da incompreensão. Quem compreende perdoa, quem não perdoa é escravo da angústia. Corajoso não é quem briga, mas sim quem suporta as ofensas e perdoa. O ato de não guardar mágoa é sinal de elevação espiritual.

Perdoar é como soltar o ar dos pulmões. É bom lembrar que os que perdoam pouco, também recebem pouco perdão. Os que perdoam muito recebem muito perdão.

Chico Xavier durante seu apostolado teve sempre ao seu lado pessoas que o serviam, mas nem sempre correspondiam, muitas vezes teve que conviver com o melindre e a ingratidão.

Certa vez um de seus servidores aproximou-se dele e disse: “Chico, eu estou arrependido porque sei que muitas vezes magoei você. Queria que você me perdoasse.”  Chico olhou nos olhos do companheiro e disse: “Meu irmão, não precisa preocupar-se, você está perdoado por tudo que me fez, por tudo que está fazendo e, ainda está perdoado por tudo que ainda vai fazer. Portanto, pode ir em paz.”

Não existe ofensa, existe sim ofendido. O perdão é o mais alto nível da capacidade de amar ao próximo.

Perdoar em qualquer circunstância será sempre colaborar na vitória do amor em apoio a nossa própria libertação. Se perdoarmos as faltas que os outros cometem contra nós, nosso pai celestial também nos perdoará.

Perdoar não é esquecer, mas entender como é que você comportar-se -ia se estivesse em lugar do outro.

Aprenda a tolerar as pessoas que te pareçam difíceis para que os outros te tolerem nos instantes em que teus sentimentos forem amargos.

Quando ferimos alguém sentimos uma indisposição física e mental que demora dias para passar. Quando alguém nos fere, sentimos a mesma coisa, pois temos caráter e dignidade. O que podemos fazer é voltar ao momento em que surgiu a mágoa, fechar os olhos abraçar essa pessoa mentalmente, chorar por ela pela última vez propondo-nos a não chorar mais. Saber esquecer é tão bom quanto saber lembrar. Ao perdoar o próximo nós próprios nos perdoamos.

Carregar mágoa é curtir o sofrimento, e ainda mais, é mastigà-la como goma de mascar, jogando-a para dentro, tendo que conviver com ela. Agindo assim seria o mesmo que conviver na mesma toca com a onça.

Esquecendo o mal não teremos que carregar a lembrança dele, a qual iria nos causar indisposição toda vez que vem a nossa mente.

Quem tolera as ofensas recebidas fica com um crédito do mesmo valor na contabilidade celeste. Crédito este que será levado em conta quando lhe aconteça cometer alguma falta.

Quando voltamos ao plano espiritual, ao reencontrar aqueles que aceitamos como eram aqui na Terra, seremos recebidos com sentimento de muita gratidão por parte deles.

Muitas vezes não perdoamos as pessoas porque elas não são como nós queríamos que elas fossem.

Temos que aprender a perdoar a nós mesmos, pois nossos maiores inimigos não estão fora, mas dentro de nós. A ponte do perdão está sempre diante de nós, convidando-nos a atravessá-la.

Todos nós consideramo-nos aptos a perdoar. Façamos uma avaliação:

Você seria capaz de levar frutas frescas e docinhos feitos por sua própria mão ao assassino de seu filho na penitenciária? Seria capaz de ficar feliz ao saber que sua ex-esposa ou seu ex-marido está mais feliz com outro parceiro do que com você?

Tratamos neste tópico os vários aspectos sobre o perdão, mas na verdade ninguém perdoa. Para perdoar teríamos que esquecer a ofensa, e nós não esquecemos. Temos ótima memória, não esquecemos, não adianta esconder embaixo do tapete.

Aquele que esquece fatos vividos, ou é por desgaste natural decorrente da idade, ou amnésia. Em todos os casos só existe um recurso: é preciso respeitar o tempo, só ele é capaz de operar milagres.

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