16. Ingratidão

Muitas vezes nos vemos diante de situações que não gostaríamos de vivenciar, julgando-nos vítimas gratuitas. Mas muitas vezes, nestes casos, a culpa é nossa. Criamos expectativas em relação aos outros e quando caímos na real aí vem a decepção. Só sofre desilusão quem se iludiu anteriormente. Não podemos querer que uma criança de dois anos coma macarronada sem lambuzar-se.

Deus cria espíritos ininterruptamente. Alguns foram criados há dez mil anos, já viveram muitas reencarnações, outros há cinco mil anos, outros há mil anos. É falta de caridade querer que espíritos recém saídos da animalidade tenham comportamentos compatíveis com aqueles que têm entre mil e dez mil anos. Cada um está no estágio referente as encarnações que viveu, o mesmo se dá em relação a alunos de diferentes graus de escolaridade, não podemos esperar níveis iguais de compreensão. Assim as aptidões e habilidades são relativas ao progresso e as experiências vivenciadas.

Para a assimilação do aprendizado é necessário estar em nível de crescimento intelectual propício à compreensão. Por mais que se ensine matemática a um gato ele jamais aprenderá porque no interior de um gato não existe tal capacidade. Só o que existe dentro de uma pessoa poderá se manifestar exteriormente.

Trate as pessoas da forma que elas devem ser tratadas, ajude-as a tornarem-se o que elas ainda não são capazes de ser.

Não negligencieis a opinião de vossos desafetos porque esses não têm nenhum interesse em disseminar a verdade e freqüentemente Deus os coloca ao vosso lado como um espelho para vos advertir com mais franqueza do que faria um amigo. Nossos desafetos são nossos grandes sinalizadores, o progresso só realiza-se na convivência com os contrários. Quando começarmos a olhar nos olhos das pessoas a tolerância tornar-se-á mais fácil.

Temos que odiar o pecado, mas amar os pecadores. Há pessoas para as quais não adianta falar a linguagem quente da fé, mas a linguagem fria da razão. Não importa se você seja amado, o importante é que você ame. Precisamos orientar e não punir, quem pune estará se pondo em igualdade com o infrator e, além do mais, quantos de nós já não cometeu algum delito e não foi surpreendido? Ninguém estaria em qualquer processo culposo se soubesse o quanto lhe custaria a recuperação.

A ingratidão machuca, mas não nos dá o direito de reagir à mesma altura. Podemos reagir inteligentemente mesmo a um tratamento não inteligente. O mal depende, sobretudo, da vontade que se tem de fazê-lo, o bem também. Somos especialistas em valorizar os precedentes trágicos, aos bons, damos pouca importância.

Conta-nos que um rico fazendeiro estava muito doente,  prestes a morrer e os familiares chamaram o padre para ministrar-lhe a extrema unção. No momento em que o padre chegou o enfermo teve breve lucidez, ficou feliz ao ver o padre, agradeceu sua presença, e foi logo dizendo: “Padre, olhe pela janela, você está vendo uns boizinhos lá no pasto?” Responde o padre: “Estou irmão.” E o homem continua: “Seu padre, reze por mim. Se eu sarar todos aqueles bois serão da igreja.” O padre disse que não precisava tanto, no que o homem diz: “Mas eu quero dar. Seu padre olhe para a direita, está vendo uns porquinhos?” “Estou”, disse o padre. “Se eu sarar eles serão todos da igreja. Seu padre está vendo umas galinhas no terreiro? Se eu sarar elas serão todas da igreja.”

O padre ficou eufórico, orou fervorosamente, pois a igreja estava precisando de uma reforma. O padre voltou para igreja e continuou orando pelo fazendeiro. Passados alguns dias teve a notícia que o fazendeiro teve plena recuperação. O padre orou em agradecimento a Deus.

Os dias foram se passando e nada do fazendeiro aparecer para cumprir sua promessa. Ai então o padre resolveu fazer uma visita ao fazendeiro. Ao receber a visita ele ficou feliz, mas nada de falar em cumprir a promessa. O padre com muito jeito disse: “Então meu irmão, a igreja está esperando os presentinhos que você prometeu. É meu irmão, naquele dia em que eu estive aqui prometeu que se você se salvasse daria os boizinhos, os porquinhos e as galinhas para a igreja.” O fazendeiro, assustado, indagou: “Eu prometi que daria os boizinhos?” E o padre: “Sim, prometeu que daria também os porquinhos e as galinhas”. O fazendeiro então encerra dizendo: “Seu padre, eu estava ruim mesmo, heim!!”

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