4. Reencarnação

Muitos ao se depararem com o termo reencarnação, associam-no ao Espiritismo como se fosse o pai ou o criador desta realidade, mas não foi o Espiritismo quem o criou. Desde os tempos mais remotos já existia essa crença.

Jesus já dizia: “Ninguém irá ao Reino dos Céus se não nascer de novo”. Só diante da reencarnação poderemos entender o amor, a vida, a Deus. Em cada encarnação aprendemos coisas diferentes e muitas vezes acabamos repetindo as mesmas coisas por muitas vidas. Se não avançarmos o ciclo, não aprendemos e voltamos quantas vezes forem necessárias. Por isso necessitamos dos intervalos, que são as idas e voltas ao Plano Espiritual para refletir e mudar de rotina, como os intervalos das estressantes aulas escolares.

Viver na Terra não é confortável, pois sofremos dores, frio, cansaço, calor, medo, etc.. Projetar uma reencarnação e não desempenhar o projeto idealizado causa grandes frustrações ao Espírito. Mudar de mundo sem melhorar é o mesmo que mudar de roupa sem o banho que purifica.

A reencarnação é um processo educativo, implica na pré-existência, onde se retorna num novo corpo físico para voltar ao palco da vida.

Segundo um guru da antiga Índia: “Se nós pudéssemos juntar os nossos ossos de tantas encarnações quantas tivemos, teríamos um monte maior que o Everest do Himalaia”.

O dia em que o homem compreender esta lei não respeitará o outro pelas rugas e pelos cabelos brancos, mas sim pela sabedoria, pois a criança pode ser muito mais velha que o idoso.

Há pessoas que só leram um capítulo do livro e julgam o livro todo; uma de nossas vidas é apenas um capítulo desse livro. Nascer de novo não é só reencarnar, mas se descobrir todos os dias.

 Todo líder religioso que combate a reencarnação quer manter seus adeptos na mesma ignorância em que está. Não se combate nada que não impõe perigo ou que não existe, porque combatê-la então? A razão da luta é porque a reencarnação está a flor da pele, como o sol em sua aurora, sem que se perceba vai rompendo as trevas.

Se não é possível falar com os mortos, por que Moisés proibiu a comunicação com eles? Não se proíbe uma coisa que não existe.

Acompanhei alguns atores por mais de 40 anos, onde participaram de dezenas de novelas. A cada novela eles vivem um personagem diferente, ao final, voltando sempre a ser o ator de origem, mas nunca o mesmo. A cada personagem vivido por eles, cresciam em bagagem, experiência, expressão  corporal, facial e tudo mais. Assim, o espírito cresce e evolui a cada vez que volta ao palco da vida.

Sem a lógica da reencarnação fica difícil acreditar que Deus seja bom e justo com tantas desigualdades. Que Deus seria este que para uns daria um corpo sadio e formoso, e a outro um corpo raquítico com tantas limitações. Uns com inteligência que supera todos os limites, outros com inteligência tão limitada ao ponto de não ter condições de saber o que está vivendo. Uns nascem em berço de ouro sendo acompanhados por pediatra, nutricionista e babá,  outro, nasce em barraco de chão batido úmido, onde muitas noites choram de fome e a mãe só tem farinha e água para oferecer. Uns nascem em lares onde recebem excelente formação evangélica, intelectual e cultural, outros nascem em favelas, filhos de pais analfabetos sem nem mesmo oportunidade de receber noções de disciplina e bondade. Moram onde o crime predomina, aprendem desde cedo que têm de  pedir, se não ganharem, têm que tomar a força.

Que Deus seria este? Se tudo se resumisse em uma única encarnação seria melhor que nossos filhos nascessem e morressem ainda pequenos, para virarem anjinhos no céu. Será melhor que viver 80 anos, passar uma vida com inúmeras dificuldades e depois ser julgados no tribunal divino para ver se será salvo ou se se perderá para sempre.

Apoiados na lei da reencarnação vemos que tudo tem uma razão, que Deus é imparcial e age com justiça.

Quem tem um corpo físico com limitações certamente fez mal uso em vidas anteriores. Os mais inteligentes já viveram mais vidas ou se empenharam buscando conhecimento em vidas passadas, só assim se explica o fenômeno das crianças prodígios.

Quem falta até o mínimo para sua alimentação poderá ter desperdiçado alimentos em vidas pretéritas e terá que aprender a dar valor.

Quem nasce onde o crime predomina certamente pediu para nascer naquele ambiente com a intenção de vencer suas más tendências para o crime.

Quem nasce e vive pouco poderia ter essa curta existência como prova para os pais. Ou o próprio espírito antecipou seu retorno ao mundo espiritual na vida passada. Na próxima encarnação este espírito terá que continuar sua caminhada evolutiva.

Quem vive 80 anos, ou mais, tem uma peregrinação cheia de surpresas, poderia ter errado, mas também aprendeu. Tudo que se aprende se soma ao que se conquistou em vidas passadas e também se somará ao que aprenderá em vidas futuras.

Um pai que tem 5 filhos seria capaz de sacrificar quatro filhos em trabalho forçado para dar privilégio só para um dos filhos? Seria muita injustiça por parte de Deus se  desse  privilégios a alguns e sofrimentos para a maioria.

A lógica da reencarnação só não vê quem não quer enxergar. Para estes não adianta toneladas de provas.

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